2019

Tempos Sombrios - D. Pedro de Lencastre, inquisidor-geral do reino

29 de maio a 2 de junho

A ação tem lugar na década de 70 do século XVII. A Inquisição e os Tribunais do Santo Ofício são instituições que representam o poder e através das quais ele se manifesta.


Dona de um controlo social feroz, a Inquisição, leva a cabo perseguições, encarceramentos, torturas e autos de fé. A par de outras perseguições, condenações e de proibições várias, a intolerância e a vigilância dos comportamentos dos cristãos-novos e de suas famílias têm ainda nesta época um cariz muito violento, onde a denúncia e o medo marcam os comportamentos do dia-a-dia.


As mulheres são socialmente, também, bastante controladas, situação que se perpetua e que não é nova. Regista-se o grande número de mulheres que são enviadas para conventos como forma de penitência.

Os desvios à norma eram feitos em segredo e em refúgios. Se alguma confidência se deixava escapar, ao pecador a confissão era arrancada pela tortura, física e psicológica. Sempre em nome de Deus e da remissão dos pecados, com forte componente, quer cénica, quer pedagógica, tanto no castigo como na absolvição.

Reina em Portugal D. Pedro II, irmão do malogrado Afonso VI.

Vivem-se tempos sombrios.

 

PEDRO DE LENCASTRE . 1608 - 1673
Inquisidor-geral do reino no período que se compreendeu entre outubro de 1671 a abril de 1673.

Exerceu o cargo durante um período de intensa atividade inquisitorial aliado a um ciclo de instabilidade política e económica que acompanhou o início da regência de D. Pedro II, por renúncia ao trono do rei Afonso VI, incapaz por doença.

Os Lencastre receberam esta denominação no século XIV através da rainha D. Filipa de Lencastre, nome que herdara de seu pai, o príncipe John of Gaunt, duque de Lancaster.

Mais tarde, D. João II usou-o na legitimação do seu filho natural – D. Jorge de Lencastre, fruto da sua relação com D. Ana de Mendonça.

Os Lencastre e a Casa de Aveiro estiveram fortemente ligados a Torres Novas desde que D. João de Lencastre (1501 — 22 de Agosto de 1571), neto de D. João II, foi nomeado primeiro Marquês de Torres Novas, titulo concedido pelo rei D. Manuel I.

Desta linhagem nobiliárquica, que teve nomes ilustres sempre em estreita relação com a Coroa, e quase um século depois, foi D. Pedro de Lencastre 5.º Duque de Aveiro e 5º Marquês de Torres Novas, nomeado como Inquisidor-Geral em 1671.
Como homem dedicado sempre à Igreja não teve filhos.

Frequentou a Universidade de Coimbra, após o que foi nomeado bispo da Guarda por D. João IV. Teve entre outras funções, cargos como o de Conselheiro de Estado e Arcebispo de Évora, e Presidente da Mesa do Desembargo do Paço em 1651, entre outros. Pedro de Lencastre já era titular da Casa de Aveiro, aquando desta prestigiante nomeação.

A Inquisição teve mão forte durante o governo de D. Pedro de Lencastre. A sua ação inquisitorial apostou em fazer cumprir ferozmente as medidas previstas mormente contra a comunidade de cristãos-novos. A curta passagem de dezoito meses pelo lugar maior dentro da hierarquia nacional daquele Tribunal teve por isso grande impacto por notório excesso de zelo no cumprimento e execução de medidas de punição por suspeita de desvios. Viveram-se tempos sombrios. Desta época, importa referir a ação de resistentes como é o conhecido caso do seu contemporâneo, o padre António Vieira.

Há uma dissertação de mestrado relevante para a compreensão da personagem e do tema, importante alicerce das nossas opções para o tema deste ano, da autoria de Marta Ribas, cuja referência aqui deixamos.
RIBAS, Marta Silveira Martins - O Governo do Tribunal do Santo Ofício no Tempo de D. Pedro de Lencastre (1671 ‑1673) – Garantir a fé em tempos conturbados. Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra. Vol. 27 (2014).

Memórias da História | 10 anos

 

Memórias da História 2019 | promo

 

2018

 

A Salvação do Corpo – Mestre António, físico-mor de D. João II 

30 de maio a 3 de junho

 

Torres Novas no século XV - Em redor do núcleo urbano primitivo, a muralha da cerca da vila havia sido reconstruída no século imediatamente anterior. A feira já se fazia na “Praça Nova” (que ocupava metade da área da atual “praça Cinco de Outubro”): assim se chamava já em 1502, exatamente porque era um elemento urbanístico recente, em oposição à “Praça Velha” (atual Largo da Botica, que era um pouco maior que o atual largo), fruto da modernização urbanística levada a cabo, presume-se, pelo alcaide D. Diogo Fernandes de Almeida, influenciado certamente pelas modernas transformações das vilas e cidades mais nobres do país, iniciadas ainda durante o reinado de D. João II.

Havia, ainda no território da vila e seu termo mais próximo, várias igrejas: a de Santa Maria, a do Salvador, a de Santiago e a de São Pedro. Existiam também a capela dos Anjos — que pertencia à rainha Dona Leonor de Lencastre, mulher do rei D. João II— e a capela do Espírito Santo, na rua Direita, depois rua das Freiras (atual Rua Cândido dos Reis).

No Rossio do Carrascal, atual largo das Forças Armadas, existia já uma igreja de invocação de São Gregório Magno e que, sensivelmente meio século depois, seria o núcleo da edificação do Convento do Carmo. Já fora de portas, a antiga capela do Vale.

Da vila, era alcaide o ilustre fidalgo Dom Diogo Fernandes de Almeida, aio do filho bastardo do Rei D. João II, D. Jorge de Lencastre. Seu pai, D. Lopo de Almeida, também havia sido alcaide da vila e a família era proprietária das casas no largo do Paço e dos moinhos do Caldeirão, por doação de Dom João II, em 1482, entre outras propriedades em Torres Novas.

Anos antes, em 1438, tinham sido realizadas na vila as Cortes do Reino, no adro da igreja de Santiago, para resolver a questão da regência após a morte de D. Duarte e a menoridade de D. Afonso V.
Mestre António

Mestre António é o nome por que ficou na história este médico a quem os cronistas chamam fisiquo e solorgiam. De origem judaica, nasceu em Torres Novas no bairro da judiaria, onde hoje se situam a rua Atriz Virgínia, largo da rua Nova e rua Nova de Dentro (Santiago).
Físico-mor de D. João II, dele foi também afilhado. Além de físico, tinha bons conhecimentos de filosofia, matemática e história, e foi autor de diversos textos.

Casou duas vezes: a primeira, com Catarina Lopes, de quem teve dois filhos, Francisco Lopes, físico do Rei Filipe I e Nicolau Lopes, também físico, e a segunda com Constança Fernandes. Os seus filhos e mulheres foram sepultados na extinta capela dos Anjos.
Morreu em Torres Novas, em data não conhecida.

É nome de rua, no bairro do Babalhau, por deliberação da Câmara Municipal, de 23 de Fevereiro de 1988.

(Toponímia da Cidade de Torres Novas, Município de Torres Novas, 2000)

 

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Em Revista | A Salvação do Corpo

A Salvação do Corpo, Mestre António, Físico-Mor de D. João II

 

 

 

2017

 

A Medição do Mundo – Manuel de Figueiredo, cosmógrafo de Portugal

1 a 4 de junho

 

Início de seiscentos: Manuel de Figueiredo, cosmógrafo-mor do Reino, visita Torres Novas, a sua terra. Traz consigo novidades e maravilhas dos novos mundos e espanta os torrejanos com a explicação das artes, da matemática, da astronomia e da navegação. A vila vê, pela primeira vez, mapas e astrolábios. Portugal começa a sonhar ser livre, de novo.

«Manuel de Figueiredo nasceu em Torres Novas, em 1568.

Discípulo de Pedro Nunes, foi mestre de matemática, cosmografia, astrologia, aritmética e arte de navegação.

Desempenhou o cargo de cosmógrafo-mor do reino, sendo o terceiro depois de Pedro Nunes.

Escreveu cronografia, reportório dos tempos, no qual se contêm seis partes: Silicet dos tempos; esfera, cosmografia e arte de navegação; astrologia rústica e dos tempos; prognosticação dos eclipses, cometas e sementeiras; o calendário romano com eclipses até 630; e no fim o uso, e fábrica da balestilha, e quadrante geométrico, com um tratado de Relógios, Lisboa, 1603; Roteiro e Navegação das Índias Ocidentais, Ilhas Antilhas do mar Oceano ocidental, com suas derrotas, sondas, fundos e conhecenças, Lisboa , 1608; Prognóstico do cometa que apareceu em setembro de 1064, Lisboa, 1605.

O nome de Manuel de Figueiredo tornou-se conhecido de sábios estrangeiros que o consideraram um matemático português digno de memória.

Faleceu em 1630.»
BICHO, Joaquim Rodrigues, in Toponímia da Cidade de Torres Novas, Câmara Municipal de Torres Novas

 

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Voluntariado

 

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2016

 

D. Jaime de Lencastre – no tempo das confrarias

2 a 5 de junho


Filho de D. Jorge de Lencastre, marquês de Torres Novas e duque de Coimbra, D. Jaime de Lencastre era neto bastardo de D. João II. Ilustre figura da Casa de Aveiro, que tinha o paço junto a Sant’Iago, Jaime de Lencastre foi padroeiro das quatro paróquias de Torres Novas e exerceu cargos eclesiásticos de relevância junto da corte de D. João III.

Estamos na época dos Descobrimentos, surgia a Inquisição, era o tempo das confrarias, já antigas, e da fundação das primeiras misericórdias. Reinaram D. Manuel I e D. João III. O reino teve prosperidade, consequência das viagens marítimas e das riquezas de África, do Oriente e do Novo Mundo.

A vila vive uma grande agitação com a chegada do novo prior, D. Jaime de Lencastre, futuro bispo de Ceuta. Funda-se o convento do Espírito Santo e anunciam-se novos templos, no rossio do Carrascal erguer-se-á depois um novo convento. Os homens bons do concelho fundam a Misericórdia, reunindo os bens das sete confrarias da vila (Santa Maria do Vale, Santa Maria dos Anjos, S. Pedro, S. Bento, de Jesus, do Salvador e de S. Brás), facto bem revelador da forte rede de coesão social de então. Torres Novas agita-se com a passagem de peregrinos e com a chegada do visitador, que castiga quem vive à margem das normas e vigia os costumes. O povo resiste, divertindo-se com os autos e farsas de António Prestes, dramaturgo torrejano da escola vicentina.

 

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FeiraQuinhentista2016

 

 

2015

 

A Carta do Povoador

4 a 7 de junho

 

Este ano, sob o tema «A Carta do Povoador», recuámos até 1190, invocando o foral atribuído pelo rei D. Sancho I à vila de Torres Novas.

No verão de 1190, Torres Novas sofria a sua última grande provação às mãos de um exército mouro, vendo as suas muralhas e habitações saqueadas pelos homens de Ibn Iussuf, o “Almansor”. Os conquistadores apoderaram-se do castelo, deixando sair os ocupantes.
No outono seguinte, e já livre do domínio árabe, a localidade era então feita vila por vontade d’El Rei D. Sancho, que promoveu a sua reconstrução e repovoamento e lhe concedeu o seu primeiro foral, instituindo um direito público reconhecido por conquistadores e populações e concedendo às organizações concelhias poderes delegados. Nesse âmbito, D. Mendo Extrema é nomeado pelo rei primeiro alcaide-mor do castelo e das terras do Almonda.
Estavam, assim, criadas as condições para que a jovem vila pudesse crescer em população e património, de acordo com os preceitos e regimentos do segundo rei de Portugal.

 

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2014

 

Na Senda de Gil Paes

5 a 8 de junho

 

Recordando o sacrifício do herói | 1375
Em 1373, as pretensões de D. Fernando ao trono de Castela, valiam a Portugal nova invasão dos exércitos castelhanos, agora comandados por D. Henrique II. No trajeto feito pelo invasor, Torres Novas foi das poucas praças que resistiu ao cerco montado em torno do seu castelo, mantendo-se por el-Rei de Portugal. Gil Paes foi o alcaide torrejano que assegurou a menagem ao seu rei, mesmo quando, diante de si, o rei castelhano dava ordens para que lhe enforcassem o filho, entretanto capturado. Feita a destruição das muralhas da vila e vingado o castelhano com a morte do jovem, partiu o invasor ao encontro do rei português, sem que Torres Novas se rendesse.

 

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2013

 

Por Terras da Rainha Santa

27 a 30 de junho

 

Em 24 de junho de 1304 fazia precisamente 22 anos do primeiro olhar trocado entre D. Dinis e D.ª Isabel, no dia em que esta passava a fronteira e era recebida por el-Rei, à entrada da vila de Trancoso. Coincidência ou não, foi nesse dia de aniversário que D. Dinis fez doação de Torres Novas à Rainha Santa, passando para a sua pertença a alcaidaria da vila, junto com o padroado das igrejas e demais direitos. Durante os 32 anos que se seguiram, pôde a vila contar com a proteção e com a presença assídua da rainha, chegando-nos ainda o rumor das boas ações e cuidados que também por cá deixou.

 

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2012

 

O Dote da Princesa

3 a 6 de Maio

 

Coroado em 1521, na sequência da morte do rei “Venturoso”, D. João III trazia de seu pai, D. Manuel I, a firme resolução de casar sua irmã Isabel com o Imperador Carlos V, o novo rei de Castela. Num tempo em que uma aliança entre os dois reinos ibéricos era um imperativo estratégico para a defesa dos interesses de Portugal além-mar, havia que ponderar bem o montante exigido por Carlos V como dote da infanta. E o valor era tão alto que se tornava necessário criar um imposto especial para o pagar. Reunidas as Cortes em Torres Novas, em 1525, aqui se decidiu e contratualizou essa união que, 56 anos depois, acabaria abrindo caminho à perda da soberania de Portugal.

 

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2011

 

A Chegada do Rei Menor

5 a 8 de Maio

 
No ano de 1438 morria el-Rei D. Duarte, deixando o príncipe herdeiro com apenas 6 anos de idade. Para além dos juramentos de fidelidade a prestar ao jovem rei, era necessário resolver a questão da regência. A quem confiar os destinos de Portugal durante a menoridade de D. Afonso V? A disputa entre fações de opinião divergente quase levou o reino a uma guerra civil, e Torres Novas foi o cenário desse confronto.

 

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2010

 

Revisitar D. Manuel I – 500 anos do foral novo

30 Abril a 2 de Maio

 
Há 820 anos, Torres Novas tornava-se formalmente um concelho através da carta de foral concedida por D. Sancho I, a 1 de Outubro de 1190. Ficavam assim regulamentados os direitos e os deveres da povoação e dos habitantes de Torres Novas, era atestada a sua autonomia municipal. Já no século XII muitos concelhos tinham o seu foral, o que significava diferentes normas (incluindo pesos e medidas) para cada uma dessas povoações do reino. É no reinado de D. Manuel I (1495-1521) que se inicia o processo de reformas do sistema jurídico-administrativo geral. O foral novo de Torres Novas, datado de 1 de Maio de 1510, insere-se neste plano manuelino de criação de novos instrumentos governativos uniformizadores. O foral novo de Torres Novas é um documento decorado com iluminuras, com encadernação em couro e ferragens, características que o colocam na categoria principal dos forais emanados entre 1500 e 1520, referentes às várias províncias portuguesas. Os forais eram feitos em três cópias autênticas sendo uma para a Câmara, outra para o senhorio da vila e uma outra para os arquivos da Torre do Tombo. A antiguidade deste diploma e a sua importância na regulamentação da vida quotidiana da vila durante séculos conferem-lhe o estatuto de documento- -monumento, símbolo da história de Torres Novas. Pelo seu valor patrimonial, o foral manuelino de Torres Novas faz parte do espólio do Museu Municipal Carlos Reis (Torres Novas). A edição fac-símile foi publicada pelo Município no dia 1 de Maio, disponibilizando- se assim o conteúdo integral do documento, uma memória viva de Torres Novas quinhentista.

 

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